Anotações para uma possível biografia: Como ser Papai Noel

Você sabe que está ficando velho quando pára de acreditar Papai Noel e passa a ser Papai Noel. Considerando que nunca acreditei em Papai Noel, ficou ainda mais deprimente quando, anos atrás, tive minha primeira experiência de personificação do Bom Velhinho (sendo honesto, esse post é uma ampliação do que eu contei no Papo de Gordo especial de Natal, já no ar).

Formatura do Jardim da Infância de 1997. Sim, formatura do Jardim de Infância, lugar com dezenas de criancinhas pequenininhas doidas para fazer pedidos para o Papai Noel. Alguns acreditando que ele existe e que estava lá; outros acreditando que ele existe, mas que eu era um maldito impostor; por fim, alguns que não acreditavam e se achavam superiores aos demais, tentando desmascarar aquele gordo de barba branca que queria enganar seus coleguinhas.

Mas o pior de ser Papai Noel nem são as crianças. É divertido enganar criancinhas, já disse em outra oportunidade. O problema é que a preparação envolve uma série de torturas medievais assustadoras.

Pra começar, a colocação de uma roupa quente, muito quente, quente mesmo. Com uma almofadinha na barriga para ampliar a protuberância estomacal, que já é grande, e para deixar tudo mais quente ainda. Se isso já não fosse suficiente, ainda tem uma barba que pinica e, se você também tiver uma irmã mentalmente perturbada, ainda terá que colocar maquiagem nas sobrancelhas para ficar mais… autêntico.

Minha situação já não era agradável, mas podia ficar pior. Em resumo, decidiram que naquele ano Papai Noel seria parte do cenário. Em outras palavras, eu apareci no início da formatura e fiquei sentado num sofá, apertado numa sauna vermelha, com um ventiladorzinho muquirana em cima de mim (o que me manteve vivo por algumas horas).

Depois de três ou quatro horas de formatura, chegou a hora de ouvir os pedidos das crianças. Alguns felizes em encontrar Papai Noel e, claro, uma criancinha que falava “Eu sei que você é o tio Lucio” com uma cara de maior gênio da humanidade. E vamos defendendo a barba de puxões maldosos e jurando que cada um vai receber o que pediu de Natal (problema dos pais se a criança resolveu pedir um walk-machine para o Papai Noel).

E tudo se repetiu no dia seguinte, na formatura do C.A.. Nunca mais quis ser Papai Noel! (mas ainda fui no ano seguinte, claro)

Essa memória ficou ainda pior há alguns dias, no evento que homenageou os alunos que estava concluindo o Ensino Médio este ano. Coloquei no telão as imagens daqueles quase adultos quando ainda estavam na formatura do C.A.. Aquele bando de marmanjo aparecendo num filme de 11 anos atrás, pequenininhos, e comigo como Papai Noel. Ficar velho é uma meleca!

domingo, 21 de dezembro de 2008 -

1 Comentário »

  1. Eu ouvir o podcast e realmente vc é foda!

    Pow vc e o Eduardo são professores? rsrs que sofrimento em?

    Gostaria de ser professor, mas acho que de crianças maiores…Técnicos kkkkkkkkkkkkk quem sabe…Estudo no SENAI e os professores de lá foram alunos.

    Pow legal o texto e muito engraçado…melhoras para sua irmã ” mentalmente perturbada” aiuHAUuaua

    Comment por Gustavo Magalhães — 26 de dezembro de 2008 @ 21:18

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