Cem dias! Cem longos e sofridos dias segurando uma pseudo-dieta! Claro que quem convive comigo por várias horas ao dia não acredita muito quando eu digo que estou de dieta, mas é que minha dieta é bem liberada. Quiçá, libertária!
O ponto é que, mesmo parecendo que continuo comendo bastante, eu estou 13 quilos mais magro do que quando resolvi começar esse empreendimento. São 132 quilinhos (tá… ainda não são “inhos”), rumo aos dois dígitos (e à mulherada!).
Mas o que reporto neste 100 dias de redução de comilança? O sofrimento curiosamente está menor do que na outra vez. Contudo, as reportagens de revistas e jornais sobre gordos (ainda falo sobre isso em outro post futuro) parecem que tentam me fazer desistir. A última notícia sobre balofice foi exatamente a de que as células adiposas nunca morrem. Quem tem células gordas sempre as terá, mesmo que emagreça. Aí é só dar uma cheiradinha a mais numa lasanha para toda a banha voltar.
Mas, tudo bem, estou focado em minha meta de não fazer jamais de forma alguma nem pensando deus me livre a cirurgia de redução de estômago. Minha barriguinha ainda não está tanquinho, mas estou bem melhor. Cada calça que cai é uma alegria. Só o fato de precisar comprar um cinto novo porque o atua esgotou os buraquinhos é uma felicidade plena.
Sim, já disse outras vezes e não custa repetir: É fácil fazer um gordo feliz!
Um curto período em São Paulo deu uma leve atrapalhadinha na minha dieta. Mas nada que não fosse contornável. Claro que ir a restaurantes com vários amigos e ficar na base da comilança enquanto se bate papo não é nada muito útil para quem quer perder peso.
Um dos diversos passeios gastronômicos nessa minha última ida a Sampa (por sinal, em breve terei posts novos da seção Lira Paulistana qualquer hora dessas) foi à cantina Concheta II. Eu já estava com uma certa dor de barriga pelos passeios anteriores, mas encarei as deliciosas massas por lá.
O grande problema é que eu tinha a firme intenção de manter minha dieta, comendo só o básico para minha subsistência, mas logicamente não consegui. O simpático velhinho cantando a Tarantella ao fundo me obrigava a detonar as massas e molhos que iam aparecendo sem parar. Mal(ben)ditos rodízios!
O que pegou mesmo foi na hora da grande animação, com todo mundo do restaurante cantanto “Funiculi Funiculá” (além do “lá-lalá-lalá”, únicas partes que todos sabiam) ao mesmo tempo em que outro velhinho ficava batendo as tampas da panela no fundo do restaurante (veja as fotos no final do post).
Como era de se esperar, tive que correr para o banheiro num determinado momento. Como o fundo musical da vida é bisonho, fiquei lá dentro ouvindo Wando! Wando, meus amigos, Wando! Enquanto… bem… enquanto estava filosofando, eu ouvia “Você é luz, é raio, estrela e luar” e por aí vai. Mais poético, impossível.
Voltei à mesa e recebi o desafio de continuar comendo. Como ninguém acreditava mesmo na minha dieta, me mantive forte e impávido. Claro que “New Yor, New York” ao fundo colaborou para o fim de minha gula (era gula mesmo, a fome já havia acabado no primeiro prato).
Portanto, a quem faz uma dieta (ou, vá lá, uma pseudo-dieta), nunca fique sob o som da Tarantella. A seqüência sempre será Wando descarga abaixo!


Trinta dias comendo menos, bem menos que o normal. Pessoas espantadas ao ver meus pratos. Até em self-service eu pegava leve (chorando, mas agüentava firme). Eis que o esforço dá resultado: Oito quilos e meio a menos!
Exato! 8,5 kg a menos em um mês. Agora estou com 136,5 kg. Andei vários quilômetros de farmácia em farmácia para encontrar alguma com uma balança que não fosse aquela bizarra que tem que pagar para dizer a relação entre seu peso e sua altura, o que pode ter me garantido alguns gramas a menos.
Claro que fiquei com um sorriso de canto a canto. Gordo fica feliz com cada coisa, né? Mas o melhor de tudo é virar para outras pessoas que estão fazendo dieta e tecer diálogo como:
— Eu já perdi 8,5 kg na minha dieta.
— Eu perdi 15 até hoje.
— É? Em quanto tempo.
— Já estou fazendo dieta há um ano.
— Pois eu perdi em um mês!
— QUÊ?
Daí, a pessoa tem um ataque de inveja. É tão divertido. Gordo é um bicho que adora tacar inveja em outros gordos! :))
Para quem acompanha esse pseudo-blog… bom… ninguém acompanha, então é melhor explicar tudo do começo.
Em 18 de abril de 2005 comecei uma pseudo-dieta, que consistia basicamente em uma leve redução de alimentação. Na prática, eu apenas passei a comer o necessário para me sentir satisfeito, sem exageros nem pra mais nem pra menos. Perdi uns bons quilos, mas tudo só durou até 18 de abril de 2006. A carne é fraca e a tentação é grande.
Na época, prometi que retomaria a pseudo-dieta para servir de exemplo para os gordos varonis do meu Brasil, mas acabei protelando, protelando, protelando… E voltei a embalofar legal.
Não que eu me importe em ser gordo. Não vejo problemas nisso, ao contrário do que muita gente insiste em achar. Afinal, os magros repetem sem parar que gordo é deprimido e vários gordos acabam acreditando nessa falácia.
Bom… Hoje é o primeiro dia da minha nova pseudo-dieta. E pra mostrar que estou falando sério, vou registrar meu peso atual e fazer um acompanhamento. Portanto, admito que hoje estou com 145 quilinhos. Vamos ver o que eu consigo a partir de agora.
E já que estou sendo sincero, deixa eu falar uma coisinha… No fundo, no fundo, o que me motivou a fazer dieta dessa vez foi o blog do Dudu. Ele fez uma cirurgia de redução de estômago e está contando tudo sobre sua epopéia por lá. O ponto é que ele conseguiu baixar de 173kg para 151,5kg no primeiro mês após a conclusão da cirurgia e eu não posso deixar que esse FDP faça com que eu me torne o mais pesado dos Morsas!
Um ano e vários posts escrevendo sobre minha dieta… para um fim melancólico e desanimador… Meus olhos vertem lágrimas de sangue pela dor de uma inconquista pérfida e vil… Bah, na verdade estou pouco me lixando, mas vamos começar do começo:
Chego ao 365º dia de dieta, com bons resultados. Em maio, escrevi o primeiro post sobre o assunto afirmando que eu esperava escrever esse post aqui com melhores resultados do que eu tinha até então. E os resultados o são.
Perdi vários buraquinhos do cinto, consegui respirar melhor à noite e ainda outros benefícios do tipo. Mas acabou-se o que era doce. Melhor dizendo, o doce continua, já que foi difícil segurar a barra. Não a barra de chocolate… Esquece. Esses trocadilhos não estão funcionando.
Voltando ao assunto, dei uma pausa na pseudo-dieta. Sei que na prática era uma redução alimentar simples, mas resolvi dar uma pausa nessas férias forçadas que dei ao meu intestino e retomei as atividades alimentares pesadas tradicionais.
Mas prometo que volto à dieta logo logo e vou relatar tudo por aqui, com muitos detalhes. Só que deixarei para depois das férias de julho. Sabe como é… Inverno… Chocolate quente… Fondue… Pãozinho-de-queijo… Definitivamente, recomeçarei a dieta depois das férias de julho! Palavra de gordo!
Em primeiro lugar, por que um número tão quebrado como 217 para esse relato? Simples: Errei nas contas e pensei que fosse o 200º dia. Como não queria esperar outro número redondo, resolvi escrever por aqui mesmo.
Em segundo lugar, que cara-de-pau é essa de falar sobre dieta dois dias depois de escrever que comeu uma enorme barra de chocolate, com foto e tudo? A resposta também é simples: Essa é a tendência natural e irreversível de qualquer pseudo-dieta… As recaídas de leve!
O que seria essa recaída de leve? Antes de mais nada, vou parar de começar cada parágrafo com uma pergunta, pois esse recurso de texto é bem chato.
Quando um gordo começa a ter os primeiros resultados de sua dieta, mesmo que ela consista em simplesmente “fechar a boca”, (como é o meu caso) começa também a sentir a liberdade de cometer pequenos excessos aqui e ali. Afinal, se já conseguiu emagrecer alguns quilos, não terá problema em comer um chocolatinho a mais.
Só que, do chocolatinho, isso vai evoluindo para um pão com presunto a mais no lanche. Emenda em alguns polenguinhos extras durante o dia. Segue por uma lata a mais de refrigerante por semana. Quando menos se espera, já estamos com um pote de Leite Moça com granulado na nossa frente!
E é hora de começar a forçar o estômago a agüentar a espera pelos horários corretos de refeição novamente, antes que o cinto volte a ficar apertado. Afinal, quando as pessoas param de falar “Nossa! Como você emagreceu!” e passam a repetir “Você parou com a dieta?” alguma coisa está errada…
Gordo sofre!
Demorei um pouco para voltar a falar sobre minha pseudo-dieta, mas foi por puro esquecimento, mesmo. Na verdade, eu queria esquecer que estava nessa dieta. Mas não dá…
Vejamos… Já está um pouquinho mais fácil resistir à tentação da geladeira. Daquela tão bela geladeira… Que me chama toda noite… Ela diz “Lucio… Lucio… Venha…”… É, o delírio começa a tomar forma.
As primeiras três semanas são as mais difíceis. Os três primeiros meses são os mais fatídicos. Agora chego ao quinto mês precisando trocar de cinto, já que meu cinto atual (número 110, para gordo!) já está no limite do buraco. Sim! Perdi todos os cinco buraquinhos do cinto!!!
Gordo fica feliz com cada coisa, né?
Agora falta pouco (em termos) para eu ficar com uma silhueta um pouquinho mais decente. Afinal, ainda está tudo meio redondo por aqui. Mas ainda vou continuar batalhando para emagrecer bem e conseguir namoradas… quer dizer… emagrecer bem para melhorar minha saúde. Claro. É na saúde que estou pensando!
Oitenta dias se segurando para não exagerar na comida. Ainda não consegui me pesar para fazer a comparação, mas já se foram três buraquinhos no cinto, o que já comprova um bom avanço (talvez recuo seja um termo melhor). Creio que não chegarei a alcançar a detestável figura do ex-gordo, já que tenho “ossos grandes”, mas espero chegar perto.
Por que ex-gordo é detestável? Simples: Se os magros já ficam sacaneando os gordos, dizendo que nós não temos força de vontade e outros comentários tão simpáticos quanto, os ex-gordos são mais chatos ainda, já que se utilizam como exemplo de que é fácil emagrecer.
Fácil de emagrecer é a PQP! Só consegue isso quem tem facilidade genética de emagrecer ou faz as assustadoras cirurgias de redução de estômago (graças a Deus ainda não estou no ponto de considerar a cirurgia como hipótese).
Em tempo: Agradeço à minha HP 12C, alegria de todos os engenheiro (algo que eu não sou, por sinal), a facilidade de calcular a data do 80º dia da dieta :)
Suponhamos que um fumante inveterado resolva parar de fumar antes que desenvolva um câncer no pulmão, por exemplo. Esse fumante está tendo uma dificuldade incrível para resistir aos cigarros, mas, num esforço sobre-humano, agüenta firme durante um bom tempinho. De repente, chega um engraçadinho e fica balançando um cigarro aceso na frente dele. Qualquer pessoa no mundo vai achar isso uma tremenda crueldade.
Suponhamos que um alcoólatra resolva parar de beber antes que desenvolva uma cirrose, por exemplo. Esse alcoólatra está tendo uma dificuldade incrível para resistir à bebida, mas, num esforço sobre-humano, agüenta firme durante um bom tempinho. De repente, chega um engraçadinho e fica balançando um copo de uísque na frente dele. Qualquer pessoa no mundo vai achar isso uma tremenda crueldade.
Até aí tudo bem, né? Mas, agora, suponhamos que um gordo resolva parar de comer exageradamente antes que desenvolva diabetes, por exemplo. Esse gordo está tendo uma dificuldade incrível para resistir à comida, mas, num esforço sobre-humano, agüenta firme durante um bom tempinho. De repente, chega um engraçadinho e fica balançando um chocolate ou um cachorro-quente fumegante na frente dele. Qualquer pessoa no mundo vai achar isso… muito engraçado!!!
Não adianta. Quem não é gordo não consegue admitir que comida é um vício equivalente a cigarro ou bebida. As pessoas acham que gordo “é gordo por que quer”, “não tem força de vontade” e outras coisas do gênero. Chegar num ponto em que até fumante e alcoólatra merecem mais respeito e apoio, é porque a situação dos gordos está realmente complicada. Cigarro e álcool são tão viciantes quando coxinha, brigadeiro, sorvete…
Hmmmm… Esse papo acabou me abrindo o apetite… Vou dar um pulo na cozinha pra ver o que tem na geladeira e depois termino de escrever…
Antes que pensem besteira, o título refere-se à felicidade que me acometeu quando coloquei hoje o cinto na minha calça e descobri que consegui passar mais um buraquinho!
Só gordo mesmo consegue entender a satisfação de mais um buraquinho no cinto ;)
…ou menos um buraquinho, sei lá. Eu e minha irmã não chegamos a um consenso sobre qual seria o termo correto.