Impressões da Bahia - Capítulo 6: Comilança!

Pizza e batata-frita em Salvador (foto: Lucio Luiz)

Já falei do acarajé (o que gerou revolta de muitos amigos baianos, já que admiti não gostar desse troço), mas ainda não comentei de maneira geral sobre comida. Sim, comida. Afinal, dois gordos visitando um outro gordo não poderia gerar outra coisa se não um turismo gastronômico.

Logo no meu primeiro dia em Salvador, o Dudu me levou para uma churrascaria rodízio e uma pizzaria muito boas (das quais não lembro os nomes, o que por sinal ocorre com todos os locais que eu visitei, então nem perca tempo me perguntando). No dia seguinte, quando pegamos o Conrad no aeroporto em plena madrugada, foi melhor ainda, já que ele nos levou a um supermercado que oferece café da manhã no estilo de hotéis. Em outras palavras, comida pra caramba!

Para não gastar muito tempo com detalhando cada café da manhã, almoço, lanche, janta e congêneres, vou citar apenas os dois casos mais interessantes (um que me deixou feliz e outro que me fez pagar um leve mico).

Começo com o restaurante fabuloso onde fiz a foto que ilustra esse post. Simplesmente uma pizzaria rodízio, que também tinha rodízio de batata frita, de banana à milanesa (apesar de um garçom meio boiola ficar com um olhar lânguido pra cima de mim chamando a banana de “nanana”). e rodízio de frango. Sem contar uma mesa na qual pode-se montar uma massa com o tipo e quantidade de massa que você quiser, além de todos os complementos possíveis e quantas conchas de molho você agüentar (ou não). Tudo por um preço único bem pequeno. Très fantastique! Saí de lá com a barriga cheia (e olha que isso não é tão fácil de acontecer no meu caso)

Agora, a pior história. Pior pra mim, pelo menos. No último dia do Conrad, o Dudu nos levou para um restaurante de frutos do mar para comer moqueca de camarão. O único problema: eu detesto camarão. Daí, fiz a coisa mais inteligente que alguém poderia fazer num restaurante de frutos do mar: pedi um filé de boi à parmiggiana. Pois é. O troço custou quase tão caro quanto a moqueca e era simplesmente o pior bife que eu já comi na minha vida! Dudu e Conrad saíram de lá empazinados, depois de detonarem em dupla uma moqueca que dava para três gordos. E eu saí enjoado e quase vomitando de tão ruim que era o bife que eu me obriguei a comer todo, apesar de ruim pra diabo

PS: Bom… Com esse post acho que concluí minhas “Impressões da Bahia”. Não lembro de mais nada interessante para escrever (além daquilo que jamais escreverei). Se lembrar de alguma coisa, publico qualquer dia desses. Ah… Quanto às fotos da Morsinha, mês que vem elas estarão por aqui, sem falta.

domingo, 19 de fevereiro de 2006 - Comentários (0)

Impressões da Bahia - Capítulo 5: O museu que não gosta de turista

Sempre que eu viajo, normalmente faz muito calor. Até quando eu fui a Gramado, coincidiu de eu ficar por lá precisamente na “semana mais quente dos últimos dez anos”, segundo li num jornal assim que voltei ao Rio. Logicamente na Bahia, que já é quente, a situação só fica pior. Calma… Prometo que chego em algum lugar com esse preâmbulo…

A primeira vez em que fui a Salvador, há alguns anos, uma coisa que me interessou muito foram os trocentos museus da cidade. Um em especial me chamou atenção quando fazia a pesquisa: o Museu da Imprensa! Como bom jornalista, fiquei com muita vontade de conhecer.

No meu último dia em Salvador, aproveitei que não tinha nenhuma coisa programada com a agência de turismo e resolvi passear pelo Pelourinho por conta própria e visitar os museus. Estava um calor absurdo e, como bom turista, coloquei uma bermuda e segui em frente. Minha irmã mais velha estava comigo e, por conta do calor, usava também uma bermudinha.

Seguindo orientações do “guia de museus do Pelourinho” que peguei na central de informações turísticas, tracei meu trajeto. Fui ao museu de arte sacra, ao museu de filatelia, ao museu de uma porrada de coisa, até que cheguei ao ponto final do passeio: o Museu da Imprensa!

Só que, quando fui entrar no prédio, um velhinho me barrou. Eu não poderia entrar naquele prédio de bermuda, só de calça comprida. Naquela calor infernal! Ele explicou que naquele prédio homens só entravam de calça. Minha irmã, com uma bermuda bem menor que a minha, poderia entrar. Eu, não. Tentei argumentar que eu queria ver o museu e que qualquer ser humano com um mínimo de cérebro entenderia que um turista jamais usaria calça comprida num calor daqueles. Em vão. Fui embora de Salvador sem ter a chance de ver o Museu da Imprensa e isso ficou marcado em mim até eu voltar à cidade.

(Um parêntese: eu mandei uma carta posteriormente à Secretaria de Turismo da Bahia sugerindo que eles escrevessem no “guia de museus” sobre a obrigatoriedade do uso de calça comprida para visitar o Museu da Imprensa, mas me senti como se tivesse mandado uma carta para a Secretaria de Turismo de Piadadeportugueslândia, quando eles responderam repetindo o que eu havia escrito na carta, dizendo que nesses prédios é necessário entrar de calça comprida, dã :P ).

Já que eu estava novamente em Salvador, não podia deixar de ir ao Museu da Imprensa. Já era questão de honra! Eu precisava conhecer esse lugar! Aproveitei o dia seguinte à viagem de volta do Conrad (eu só voltaria ao Rio no dia seguinte) e zarpei para o Pelourinho. Apesar do calor, coloquei calça comprida. Caminhei da faculdade do Dudu até o Elevador Lacerda e, já lá em cima, fui até o fatídico prédio. O mesmo velhinho estava lá (deve ser imortal), mas consegui segurar o ímpeto de dar um chute na canela dele e entrei. Ah, glória! Entrei no prédio! Agora nada me impediria de conhecer o museu… A não ser…

No andar indicado pela recepcionista, encontrei uma porta de vidro trancada. Bati, gritei, toquei a campainha… Insisti tanto que um rapaz me atendeu. Eu, já contente, expliquei que queria visitar o Museu da Imprensa. Foi quando ele respondeu: “Ih… Mas a moça que tem a chave saiu e não volta hoje”.

Não teve jeito. Joguei todas minhas mágoas em cima dele. Contei todo meu infortúnio, reclamei da dificuldade de visitar o museu e do desrespeito que era o fato da pessoa responsável pelo local sequer deixar a chave com alguém. Só que ele disse que não tinha mesmo jeito. Cheguei à conclusão de que esse museu realmente não gosta de turista!

Pedi para, ao menos, dar uma olhadinha de fora no tal museu, na esperança de ter mais sorte na próxima vez em que fosse à Bahia. Ele, meio relutante, deixou (ainda bem, pois do jeito que eu estava nem sei o que faria). Olhei pelo vidro e fiquei realmente impressionado…

QUE LUGARZINHO MERDA!

Fiz essas duas fotos abaixo com meu celular na certeza de que nunca mais faria a menor questão de visitar esse lugar. Por toda a divulgação que tem em sites de jornalismo e por o trabalho e frustração gerados em mim, eu esperava ao menos uma coisa diferente ou com um acervo mais interessante. Nada contra o lugar em si, já que deve realmente ter coisas importantes sobre a imprensa baiana, sei lá. Mas, caramba!, ostentar o nome de “Museu da Imprensa” obriga a ser bem melhor que isso.

Museu da imprensa, o museu que não gosta de turista (foto: Lucio Luiz)

Museu da imprensa, o museu que não gosta de turista (foto: Lucio Luiz)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006 - Comentários (0)

Impressões da Bahia - Capítulo 4: Amargos Dias

“Amargos Dias”: © & TM by Dudu

Uma viagem à Bahia não está completa sem uma visita a Amargosa. Ao menos quando se está hospedado na casa do Dudu, o mais famoso amargosense do mundo. Bom… Ao menos 85% dos lugares de Amargosa têm o sobrenome da família dele. Escolas, ruas, abatedouros, caixas d’água, fazendas… ;)

Por sinal, foi do Dudu que eu copiei o título desse post, Amargos Dias©, já que era assim que ele chamava um fotolog em homenagem à cidade com o melhor São João da Bahia (um dia ainda vou conferir se isso é verdade).

Caminho para Amargosa (foto: Lucio Luiz)

Amargosa é uma pequena e simpática cidade. É tão escondida que até no Google Earth ela está totalmente coberta por nuvens (sério, confira com as coordenadas “-13.02289 -39.588268”). Eu, que estou acostumado com Lambari, gostei bastante da cidade. Tranqüilidade… Calma… Moças de visibilidade agradável andando de um lado para o outro com vestimentas desinibidas… 597 lan houses cheias de malucos que preferem ficar acessando a internet do que ver as moças de visibilidade agradável etc… No geral, Amargosa é realmente uma cidade bem interessante. Mas… quanto à decoração de Natal…

Boneco de Neve de Amargosa (foto: Lucio Luiz)

Amargosa pode ser realmente uma cidade simpática, mas esse boneco de neve levemente tosco era a única decoração de Natal numa enorme praça da cidade. Mas logicamente isso em nada desmerece o lugar, já que… pôxa.. nem tudo é perfeito. Na verdade, nem as placas do governo…

“GoRverno da Bahia” (foto: Lucio Luiz)

Pois é. Para quem não notou, aí em cima tem uma letrinha a mais na palavra “Governo”. A foto não merece mais comentários e só coloquei para o post ficar um tantinho maior. O importante mesmo em Amargosa foram as fotos que fizemos da Morsinha na outra praça da cidade (bem mais bonita que a do boneco de neve), mas isso fica para outra oportunidade. Para fechar, basta apenas falar que Amargosa é tão legal que atrai até fantasmas. Afinal, no flagra aí em baixo, fotografei Jorge Amado. Sim, o próprio, tomando um solzinho. Se duvida, clique a imagem para ver o detalhe apontado pela setinha e diga se não estou com razão!

Jorge Amado em Amargosa (foto: Lucio Luiz)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006 - Comentários (0)

Impressões da Bahia - Capítulo 3: Oxalá é quem mesmo?

Sincretismo religioso? Talvez no passado. Hoje em dia nem a Bahia está livre das campanhas de intolerância religiosa. Embora, se pensarmos friamente, essas campanhas acabam sendo mais engraçadas (por patéticas) do que qualquer outra coisa.

Vejamos então a mensagem que achei em vários orelhões no Mercado Modelo e que registrei com a horrível câmera do meu celular. Lá vem com uma singela mensagem de alerta sobre o fato e Oxalá ser o Diabo, além do aviso de que não se deve usar fitas do Bonfim porque “a Bíblia não fala em Bonfim”.

Agora vem a grande questão da humanidade: Se não é para participar de festas “amacumbadas” ou pagãs (num nome mais bonitinho), e nem usar nenhum adereço “do capeta”, o turista que vai a Salvador só vai ter uma única coisa para fazer: visitar as 7.634.025 (e contando…) Igrejas da cidade.

E ainda assim quando não for dia das mães-de-santo lavar as escadarias ou comemorar um dos deuses da umbanda com equivalência católica, o que deixa como sobra… deixa ver… cerca de três dias por decênio.

Orelhão com a mensagem “Oxalá é o Diabo” (foto: Lucio Luiz)

terça-feira, 31 de janeiro de 2006 - Comentários (0)

Impressões da Bahia - Capítulo 2: Acarajé!

Acarajé… e a Morsinha (foto: Lucio Luiz)

Eu detesto feijão e camarão. Não consigo comer. Já tentei, me esforcei, mas simplesmente detesto feijão e camarão. Ainda assim, por força das circunstâncias (e de sete baianos insistentes), acabei tentando experimentar um prato típico da culinária baiana cujas bases principais são… feijão e camarão :P

Bom… Esse dia começou normal. Como nos demais dias das férias na Bahia, eu e Conrad ouvíamos todos os baianos falando sobre tudo que há de bom na Bahia. E, entre os maiores orgulhos dos baianos (ao lado do Chiclete com Banana), está o acarajé!

É exercício de zen budismo ficar o dia todo ouvindo os baianos falando que não se pode ir à Bahia sem comer acarajé, que essa é a melhor comida do mundo, que acarajé de verdade é apenas aquele feito com azeite de dendê e que azeite de dendê de verdade é só aquele que existe na Bahia, e por aí vai.

Acabou que, numa saída com vários amigos baianos, vi-me diante de uma barraca (ou melhor, dA barraca) de acarajé. Juntei toda minha coragem e fui morder o troço. O visual não ajuda nem um pouco, mas tentei ignorar esse fato. Avancei com os dentes em direção àquele bolinho, mas meu olfato me impediu de seguir.

Com o apoio de meus amigos, que diziam palavras de apoio como “quanta viadagem” e “come logo essa merda”, acabei fazendo novas tentativas. Na quinta aproximação, consegui morder.

Nessa mordida veio só a massa. E que coisa horrível! Quase vomitei naquele mesmo instante, mas agüentei firme e segui em frente, dessa vez com a intenção de morder um pouco do recheio. Seja lá o que fosse aquela misteriosa mistura de cores e cheiros estranhos.

Consegui! Levei à boca um pedaço pequeno, mas ainda assim um pedaço referencial, de acarajé. E o troço era pior ainda!!! Dessa vez fiquei no limiar do vômito, mas consegui me segurar. Desisti da tortura e entreguei meu acarajé 95% para o primeiro que quis aceitá-lo (logicamente foi o Dudu, que não rejeitaria comida).

Resumo da ópera: Não consegui comer o acarajé. Não foi pelo visual ou pelo estranhamento com o bolinho. Foi simplesmente porque eu achei que aquilo tinha um gosto horrível! Perdoem-me os baianos, que crêem ser aquilo a oitava maravilha do mundo, mas eu preferiria agüentar cinco horas de axé music do que ser obrigado a encarar um acarajé novamente! Bem… Talvez nem tanto…

Ah… Aquela que está em frente ao acarajé na foto lá de cima é a Morsinha. Sobre ela falo outro dia :)

quinta-feira, 26 de janeiro de 2006 - Comentários (0)

Impressões da Bahia - Capítulo 1: Impressões gerais

Antes de começar com os comentários mais específicos sobre minha viagem à Bahia, é bom colocar por aqui uma visão geral. Na verdade, eu já conhecia Salvador de outra viagem que fiz alguns anos atrás, mas é diferente conhecer a cidade guiado por um baiano (não que os guias turísticos não fossem baianos, mas guia turístico costuma ter a péssima mania de tratar turista como um bando de retardado que quer ver apenas coisas de turista… Bom… Normalmente é isso mesmo…).

Eu gosto de Salvador. Independente das baianas que cobram para você fazer foto com elas, dos vendedores que cercam os turistas como formigas em volta do doce, dos táxis que cobram taxa extra quando três pessoas o utilizam, do fato de todo mundo odiar o Carnaval do Rio e fazer questão de repetir isso indefinidamente para os fluminenses… Bom, nada disso realmente pesa na análise turística :)

Salvador é uma cidade bem interessante, com várias atrações além do que os guias gostam de “empurrar” para os turistas. Claro que é obrigatório ir ao Pelourinho e utilizar o Elevador Lacerda, mesmo já os conhecendo. Até porquê o Elevador é bastante interessante para ver a decepção na cara dos turistas, que acham que ele é um elevador panorâmico e não um simples meio de transporte. Famoso, mas apenas um meio de transporte.

A onipresença de duas figuras também é algo curioso: O Antônio Carlos Magalhães e o grupo Chiclete com Banana. ACM e seus parentes provavelmente dão nome à metade das principais ruas soteropolitanas. Na verdade, suponho que haja uma Lei estadual que obrigue a avenida principal de cada cidade a ter o nome dele.

Já o Chiclete com Banana é um fenômeno que eu já conhecia desde a vez anterior em que fui a Salvador. Eles são idolatrados por lá! Quem vem de fora, costuma até conhecer o grupo, mas dificilmente imagina o tamanho da devoção. Se bobear, deve haver uma Igreja São Chiclete com Banana entre as cerca de 7.528.936 (e contando…) Igrejas de Salvador. Por sinal, mais interessante que isso, só o fato deles não gostarem de artistas baianos famosos em outros estados, como Daniela Mercury, mas isso não vem ao caso agora ;)

Dadas as impressões gerais (com uma fotinho bonitinha que eu fiz por lá, mostrando o Elevador Lacerda à direita e o Mercado Modelo à esquerda - a casa amarela), quando der na telha conto histórias interessantes (ou não tão interessantes assim, como é o caso da maioria quase absoluta).

Salvador, Bahia (foto: Lucio Luiz)

sábado, 21 de janeiro de 2006 - Comentários (0)

Impressões da Bahia

Durante parte das férias, visitei a Bahia. Com a grande vantagem de hospedagem gratuita, já que fiquei na casa do Dudu. O coitado, além de hospedar um gordo do Rio, ainda hospedou um outro gordo de São Paulo, o Ilmo. Prof. Conrad Pichler. Éramos três gordos livres na Bahia… Em outras palavras: Muito turismo gastronômico!

Como seria impossível citar todas as histórias da viagem - embora algumas histórias eu realmente não vá citar de forma alguma, já que esse é um blog público ;) - vou dividir os acontecimentos em vários “capítulos” e ir contando aos pouquinhos, até ficar de saco cheio ou esquecer: o que acontecer primeiro.

Só para constar, duas fotinhos do Minimorsaencontro Baiano. Ambas feitas, logicamente, em locais de comilança. Maiores detalhes, qualquer dia desses.

Minimorsaencontro Baiano 2005 (foto: Alguém que estava por lá e pegou a câmera digital para fazer a foto da nerdaiada)

Minimorsaencontro Baiano 2005 (foto: Alguém que estava por lá e pegou a câmera digital para fazer a foto da nerdaiada)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006 - Comentários (0)