
Para fechar a looonga introdução das “Impressões de Portugal”, vamos falar de Lisboa, minha última parada na viagem às terras lusitanas. Capital do país, cidade bem grandinha, sotaque mais rápido que nas que visitei antes, velhinhas com cara de estereótipo… Tinha tudo por lá.

Lisboa foi especialmente legal porque foi onde vi pela primeira vez um castelo de verdade (o da Cinderela, obviamente, não conta). Pior que a reação ao ver o castelo foi altamente nerd, mas vou deixar isso para um post próprio no futuro.

Lisboa também foi legal por conta dos vários museus, do pastel de Belém, dos muitos museus, do pastel de Belém, dos interessantes museus e, claro, do pastel de Belém. Tem algumas outras coisinhas também, mas acho que é nessa base.

Bom… Chega de enrolar. No próximo capítulo das “Impressões de Portugal” eu começo a contar algumas histórias interessantes. Ou não.

Braga é uma cidadezinha simpática. Confesso que só a visitei por ser a sede da Universidade do Minho, organizadora do evento do qual participei. Ainda assim, gostei da cidade, que só tem uns 175 mil habitantes (dados da Wikipédia, eu não tenha nada com isso).

O que eu mais gostei em Braga (além da infinidade de universitárias que passeava por lá, já que era início do período letivo e época de trotes, mas deixa isso pra outros post) foi a vasta quantidade de igrejas e monumentos dos mais variados estilos. Tudo muito bonito e impressionante. Ao chegar na cidade, passei a não entender o estranhamento da rapariga da imigração, que estranhava eu querer visitar Braga.

Não tenho muitas histórias para contar sobre Braga, já que fiquei lá apenas dois dias e um foi só na universidade. Mas ainda assim não posso deixar de citar o vascaíno fanático e minha primeira experiência num McDonald’s português. Mas, obviamente, não foi falar sobre isso agora para ganhar uns posts extras no futuro para os dias de menor criatividade.

São tantas coisas para falar de Portugal que preferi, antes de partir para as histórias específicas, vou fazer “mini-impressões” de cada uma das três cidades portuguesas que visitei. Nada muito complexo, nem trazendo as melhores histórias (que guardarei para posts futuros), apenas um relato básico.

Porto é uma cidade legal (OK, isso não foi um grande exemplo de eloquência). No primeiro dia por lá, eu estava muito cansado, já que havia acabado de chegar de um voo no qual dormi quase nada. Mas dei uma caminhada pelos arredores do hotel e achei o lugar simpático.
Contudo, ainda não estava me sentindo exatamente “europeu”. Faltava alguma coisa. Carros na rua, paredes pichadas, pessoas andando de um lado para o outro, não era algo que me remetesse tanto para longe do Brasil.
Claro que a ausência de assaltos, gaivotas (ou algo assim) ao invés de pombos comendo lixo na rua e o sotaque forte me lembrava que algo estava diferente. Mas só mesmo em meu segundo dia na cidade que me senti na Europa.

Pontes! Pontes enormes, gigantescas e imponentes, para carros, pedestres ou comboios! Isso me deu um impacto visual que me deixou claro que eu estava na Europa. Os brasileiros tratam os portugueses com tanta intimidade familiar que às vezes a gente esquece que, afinal, Portugal está na Europa, pois.

Sim, existem pontes no Brasil. Algumas enormes, algumas gigantescas, algumas imponentes. OK. Já fui a Recife, já visitei outras cidades com pontes, obviamente já passei trocentas vezes pela Ponte Rio-Niterói e coisas assim. Mas é diferente.
Sim, o primeiro momento em que você se sente na Europa vem aquela sensação de que você é um babaca paga-pau de primeiro mundo. Felizmente minha alma latina me deu um tapa e eu parei de ficar com a mandíbula deslocada vendo as pontes antes de acharem que eu era uma estátua.

Porto também é conhecida pelos vinhos, mas vou deixar para outro capítulo o relato de como eu, um sóbrio de carteirinha que não bebe nem cerveja, tive que encarar dois copos de vinho numa cave para não passar vergonha e, exatamente por isso, passei vergonha.
Uma preocupação tradicional dos brasileiros que vão viajar pela primeira vez a Portugal é a barreira da língua. Afinal, é lugar-comum no Brasil dizer que o sotaque português é incompreensível para quem nasceu deste lado do Atlântico.
Confesso que estava com esse medo por conta de três experiências: Já ouvi fado (não entendi uma palavra sequer), já assisti um filme português (o único personagem que eu consegui entender foi um espanhol que falava em sua língua nativa) e, pior de tudo, caí na besteira de assistir RTPi antes de viajar e caí logo num programa de debate sobre futebol (se os congêneres brasileiros já são difíceis de entender, imagine então os lusitanos).
Isso tudo ainda se somou a uma preocupação tradicional dos brasileiros que vão viajar pela primeira vez para o exterior (Disney na adolescência não conta como viagem internacional): O medo da imigração do primeiro mundo cismar com a cara do latino malvado. Mesmo quando essa viagem é para Portugal, país-irmão (ou primo, talvez) onde nem visto a gente precisa.
Considerando o fato de que eu sempre penso que as coisas acontecerão da pior maneira possível, eu já estava preparado psicologicamente para não entender o que as pessoas diriam e só notar que os berros incompreensíveis eram ameaças de deportação quando eu já estivesse num avião de volta para o Brasil. Sim, sou paranoico.
Para minha felicidade, descobri logo que cheguei que estava exagerando em minhas preocupações. Embora não tenha arriscado assistir Kung-Fu Panda em português de Portugal no voo (“O P’nda d’k’ngfu” da abertura me desanimou), a rapariga (juro que estou usando o termo na conotação portuguesa) da imigração em Lisboa foi simpática. Além disso, quando estava perto de pegar a conexão para Porto e me toquei que havia esquecido o iPod que eu comprara na cabine de imigração, ninguém criou problemas para que eu voltasse todo o caminho até a rapariga, que havia guardado meu novo brinquedinho tendo a certeza de que eu voltaria para buscá-lo.
A única exceção para a simpatia lusitana e compreensão linguística foi o baixinho bigodudo com cara de estereótipo que revistou minha mala na chegada a Porto. Ele socou a mala procurando fundos falsos, contestou o fato de eu estar viajando fora das férias, questionou meu interesse em conhecer cada uma das cidades que eu iria e outras coisinhas não muito simpáticas. Algumas delas, inclusive, que eu só entendi depois de pedir para ele repetir devagar. O chulo (garanto que estou usando o termo na conotação portuguesa) não devia ser muito fã de brasileiros, pois.
Para resumir, depois disso não tive nenhuma dificuldade com o sotaque dos portugueses (curiosamente, apenas em Lisboa foi um pouquinho difícil entender algumas pessoas, mas, no geral, não tive problemas). Até me enrolei com algumas palavras que têm significado diferente, mas abandonei de vez a visão equivocada de que o português europeu é outra língua.

Estava devendo essa há tempos. Em outubro, viajei para Portugal porque tive um artigo aprovado para apresentar num congresso sobre Web 2.0. Para ser sincero, nem imaginava que ia dar em nada, mas como fui chamado tive que ir. Que coisa, né?…
Claro que eu não iria para Braga (local da Universidade do Minho, sede do evento) e deixaria passar a oportunidade de conhecer outros cantos lusitanos. Portanto, antes de ir para Braga conheci Porto e depois zarpei para Lisboa.
Só que o evento foi em outubro e fiquei enrolando até agora, três meses depois, para começar a falar no assunto. Tenho muito o que contar: Meu medo de não entender português, o quanto demorei para entender que estava na Europa, a dificuldade de saber o que comer, o golpe que dei sem querer num motorista de ônibus…
Mas deixo isso para os próximos capítulos da primeira edição internacional das “Impressões” :)
