Não entendo de cinema: Batman - O Cavaleiro das Trevas

Batman: O Cavaleiro das TrevasO novo filme do Batman veio sob várias expectativas. A expectativa de ser melhor que Batman Begins. A expectativa do Coringa ser melhor que o do Jack Nicholson (bom… pra mim isso era uma certeza, não uma expectativa). A expectativa de um melhor aprofundamento na história, já que não teria mais a necessidade de ser uma “história de origem”. Enfim, a expectativa de ser um filme bom pra cacete! E foi :)

Foi tudo fantástico em Batman: O Cavaleiro das Trevas. Definitivamente um dos melhores filmes de ação de todos os tempos. Além até da “classificação” de “filme de quadrinhos”. Mas, claro, uma análise de um filme jamais passaria incólume no Inutiologia sem a participação de meus amigos imaginários, que surgiram imediatamente após eu ver o filme.

- Vocês de novo? Vamos simplificar essa história porque não estou com muita paciência hoje. Vejamos… Gumercindo!

- Presente!

- Os críticos foram praticamente unânimes nos elogios ao filme. Devo então supor que você gostou, certo?

- Claro. Nunca houve uma melhor atuação de um ator morto desde O Corvo.

- Beleza. Fredimundo, tenho certeza que você também não tem nada para falar contra esse filme.

- Certamente. Nunca vi um vilão psicótico tão bem construído desde O Silêncio dos Inocentes.

- Zenóbio, você deve ter gostado da troca da namorada do Batman, certo?

- Sim, a outra já era gostosinha, mas essa é bem mais interessante. Pena que o Coringa detonou com ela, mas o personagem era tão legal que até dava pra perdoar. Só achei que podia ter uma Mulher-Gato pra melhorar a história.

- Por fim… Agenor. O que você vai ter pra criticar dessa vez?

- Nem vou começar falando que o original é melhor porque seria chover no molhado.

- Que é isso, rapaz? Tirando a “motinho bate-volta”, o filme foi perfeito.

- Pra começar, o filme chupou várias idéias da Piada Mortal. Mas com desvantagens. Enquanto que no gibi o Coringa tentava destruir a mente do Jim Gordon para provar que qualquer um pode ficar maluco como ele, no filme criaram uma situação estapafúrdia com os navios para mostrar que ninguém tem instinto assassino que nem o Coringa.

- Poxa… Mas não foi legal?

- Quer coisa mais inverossímil que dois navios com centenas de pessoas e não ter unzinho sequer que apertasse o botão pra explodir o outro barco e se safar? Pô! Um barco estava repleto de assassinos, estupradores e sabe lá mais o quê! Como ninguém teria coragem de fazer sso por lá?

- Certo, mas…

- A origem do Duas Caras também foi alterada!

- Tudo bem, mas ela teve mais consistência e ficou perfeita dentro do contexto do filme.

- Nah! O legal do Duas Caras é ter sido queimado em ácido durante um julgamento e ter se tornado um vilão com obsessão no número dois. E, mais importante, ele tinha que continuar vivo, pô!

- Mas o contexto…

- Além do mais, o Lucius Fox ficou sabendo da identidade secreta do Batman! Antes ele pelo menos só desconfiava, mas tudo ficava mais ou menos sutil.

- Mais alguma coisa?

- Batman assume assassinatos para justificar ser perseguido pela polícia!!!

- Peraí! Isso é o ponto alto do final do filme. Torna tudo mais interessante para o próximo.

- Bom… É o que eu acho.

- E eu acho que você é bobo, feio e chato!

- Você usou essa mesma piada na conversa sobre Batman Begins.

- Então simplesmente vá à m&#%@! - concluí com um argumento mais adulto e razoável que um nerd poderia encontrar para defender o filme do Batman de quem não o considerou mais perfeito ainda que o filme anterior.

Tirando uns chatos de plantão que sempre vão existir (tipo um pentelho que setou perto de mim no cinema e sempre reclamava das cenas mais exageradas ou o pessoal de sociedades que defendem a natureza que reclamaram do Batman lutar contra cachorros [o que eles fariam? deixariam os cachorros os devorarem?]), o filme é fantástico e mostra que, de vez em quando, a DC ainda acerta no cinema.

Pena que para cada filme bom da DC sempre aparecem uns 20 bons da Marvel :P

segunda-feira, 21 de julho de 2008 - Comentários (0)

Não entendo de cinema: Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

Indiana Jones e o Reino da Caveira de CristalUma expectativa de quase 20 anos foi bem atendida pelo novo filme do Indiana Jones. Claro que havia o medo de que George Lucas fizesse a mesma lambança que fez com a nova trilogia do Guerra nas Estrelas (que só ficou melhorzinha na metade final do terceiro filme), mas felizmente isso não aconteceu e acertaram a mão (agradeçam ao Spielberg, acho).

Claro que ajudou o fato de usarem um “estilo” anos 80 para a filmagem do filme, mas ainda assim ficou interessante ver Indiana Jones depois de tanto tempo. E o mais interessante: O tempo passou para ele assim como passou para a gente. Não tentaram disfarçar a idade do Harrison Ford, mas posicionaram o Indiana Jones como um coroa. Sem contar que, logicamente, colocaram Shia LaBeouf como filho do Indiana já preparando uma “transição”. A própria obviedade do nome dele ser Mutt (certamente em homenagem a seu cachorro, tal qual Indiana assim se chamou por conta de seu cachorro) leva a isso.

- A gente não vai poder falar?

- Acho que nesse filme vocês não terão muito o que falar. A não ser o Agenor que sempre acha que o original é melhor.

- Mas é mesmo.

- Eu sei que esse filme não foi tão fantástico quanto os outros, mas está bem perto deles. Sem contar que trouxe elementos de filmes anteriores. Também manteve o humor e a personalidade do Indiana Jones.

- Mas não foi tão bom quanto os anteriores. Foi pra ganhar dinheiro!

- E quem se importa? Não sendo uma porcaria que nem o Episódio I, já estamos no lucro.

- Não mais no lucro que a Lucasfilm…

- Bah! E você, Fredimundo?

- Gostei, claro.

- E você, Gumercindo?

- Os críticos adoraram, então eu também adorei.

- Viu, Agenor?

- O Fredimundo gostou de Tomb Raider 2, meu Deus! E o Gumercindo concorda com tudo que a Veja fala sobre cinema! A opinião deles certamente não conta pra nada!

- Bom argumento… E você, Zenóbio?

- Tinha pouca mulher bonita. Mas aquela russa até que era bem gracinha. Quem era a atriz?

- A Cate Blanchet. Não reconheceu?

- A… Cate… Blanchet…? Credo! Esquece o que eu disse! Vou lavar as mãos agora mesmo! Credo!

Depois disso, me restou continuar ignorando os apelos de Agenor para que eu concordasse que os filmes originais foram melhores. Sim, não nego que o novo filme não é tão bom quanto os três primeiros, mas foi muito bom e se coloca como bastante promissor para uma nova trilogia.

Alguém ainda duvida disso depois da metáfora no final do filme? O chapéu cai no pé do filho do Indiana, que resolve colocá-lo, quando é impedido pelo próprio Indiana. Metaforicamente a indicação de que ele será o novo Indiana Jones, mas não agora.

Poético, não?

sábado, 24 de maio de 2008 - Comentários (0)

Não entendo de cinema: Homem de Ferro

Homem de FerroHá muito tempo eu não escrevia um artigo para a seção “Não entendo de cinema”. Resolvi retomar as críticas-crônicas logo com Homem de Ferro. E meus amigos imaginários, que tanto ajudam (ou atrapalham?) esses textos, também voltaram com força total.

De uma maneira geral, eu gostei do filme. Não acompanho muito o personagem nos quadrinhos, mas já li o material clássico dos Vingadores, além da versão Ultimate do grupo. O filme tem ótimas falas, um bom timing e, como a cena que vem depois dos créditos deixa bem claro, é um dos prelúdios do futuro filme dos Vingadores (se não for, é burrice da Marvel).

Mas, como ninguém está aqui para ler o óbvio, vamos para os amigos imaginários que comentam de forma tão… tá bom… de forma tão óbvia os fillmes!

- Eu gostei - apressou-se em afirmar Fredimundo.

- Grandes coisas - complementei - Você gostou até do Hulk do Ang Lee, isso não quer dizer nada.

- Ué? Mas você também gostou do Hulk do Ang Lee…

- Er… Abafa o caso. E você, Gumercindo? Os críticos parecem ser unânimes nos elogios aos filme. Isso significa que você gostou, certo?

- Claro! Os críticos são como musas inspiradas…

- Não seria “inspiradoras”?

- Não, inspiradas mesmo. Eles inspiram o odor que um filme traz e expiram suas críticas de forma que todos possamos respirar melhor esse ar.

- Er… Se eles fazem isso, as críticas não seriam gás carbônico?

- Danem-se os críticos! - interrompeu Agenor, para o bem da liberdade poética - O original é muito melhor!

- Peraí, Agenor! Todos sabemos que você sempre acha que o original é melhor, mas não seria o caso de aceitar bem as leves alterações que foram feitas?

- Jarvis ser um robô é “leve alteração”?

- Iam compará-lo ao Alfred.

- E daí? Sem o Jarvis como vai surgir um filme dos Vingadores? Que diabo são os Vingadores sem o Jarvis?

- Estamos falando aqui do Homem de Ferro e não de um possível filme dos Vingadores…

- Mas o Nick Fury apareceu no filme. E ainda por cima a versão ultimate…

- E qual o problema disso?

- Você é uma droga de um decenauta, Lucio! Fica quieto e me deixa reclamar! O Tony Stark manteve uma personalidade condizente com o original, mas ele se declarou logo como Homem de Ferro! Nem deixaram ficar um tempo com a clássica história de ser um guarda-costas…

- Reclamar disse é babaquice…

- O original é melhor. E ponto final. O filme foi praticamente uma história de origem…

- E que filme de super-heróis não é?

- Mas esse filme foi SÓ de origem! Podia ser meia hora menor que não faria diferença. Era só manter as piadinhas para o pessoal rir que estava tudo bem!

- Desisto. E você, Zenóbio? Sua taradice foi satisfeita no filme?

- Olha… - Zenóbio refletiu um pouco antes de falar - A Gwyneth Paltrow é bonitinha, mas podiam ter escolhido uma atriz mais… digamos… encorpada pra ser a ruiva gostosa.

- Esse é seu único comentário?

- Não, claro que não. Faltou dizer que o Stan Lee finalmente fez uma ponta legal num filme da Marvel: Fingindo ser o dono da Playboy e cercado de gostosas!

- OK… OK… Acho que por hoje chega. Da próxima vez eu assisto um filme meia-boca para o papo ser mais polêmico, certo?

- O próximo que você vai ver não será o Indiana Jones?

- Dane-se a polêmica, então!

E dessa forma simpática e política, encerrei o papo.

quinta-feira, 1 de maio de 2008 - Comentários (0)

Não entendo de cinema: 300

300Mais um filme adaptado de uma graphic novel, algo muito melhor, em tese, do que filmes adaptados de quadrinhos de super-heróis. Afinal, uma graphic novel tem uma história com início, meio e fim que deve ser (em tese, claro) seguida, tal qual uma adaptação de um livro. Já os quadrinhos de super-heróis permitem “liberdades poéticas” que às vezes trazem histórias estapafúrdias.

Não tenho idéia do porquê de ter escrito esse prolegômeno bizarro, mas tudo bem. O fato é que fui assistir 300, o filme que se baseia na graphic novel Os 300 de Esparta, de Frank Miller. Como se isso tudo que eu estou dizendo fosse alguma novidade…

- Dá pra parar de enrolar e começar logo a discussão? - Zenóbio interrompe meus devaneios.

- Zenóbio? Imaginei que você não quisesse nem comentar sobre o filme. Afinal, você só gosta de ver mulher pelada e o que mais tinha nesse filme era homem pelado, marombeiro e sarado.

- Sim, claro. Isso foi desagradável. Mas, pelo menos e rainha espartana era gostosinha e pagou uns peitinhos no filme.

- Sinceramente, nem sei por quê me dou ao trabalho de te escutar. Seus comentários são os mais ridículos! Até o Gumercindo, que só segue os críticos, tem mais conteúdo.

- Obrigado - disse, feliz, Gumercindo.

- Não foi elogio.

- Certo… De qualquer forma, já que falou de mim, tenho que comentar: O filme faz uma propaganda…

- Pára! Pára! Se você vier repetindo os críticos ao dizer a bobagem de que o filme faz propaganda da política armamentista do Bush, eu te dou um soco no nariz.

- Sou imaginário, não tenho nariz.

- Tudo bem. De qualquer forma, é uma coisa absurda que peguem um filme adaptado de uma história em quadrinhos feita há quase 10 anos é uma reles propaganda do governo Bush. Os críticos hoje em dia parecem todos sócios da Associação de Teóricos da Conspiração.

- Nada a ver isso. O filme foi muito bom - concordou Fredimundo.

- Tá certo que o Fredimundo acha que qualquer filme tem um lado bom, até aquele do casal que ficou perdido nadando no mar por dias a fio.

- Posso falar? - interrompeu Agenor.

- Deixa adivinha… Você vai falar que o original é melhor, acertei?

- Claro! O original é melhor!

- Isso eu concordo. Mas você tem que admitir que vários diálogos e cenas foram repassados com perfeição para a tela. Por sinal, 300 é o filme com maior número de “frases fortes” que já existiu. Dá pra ficar repetindo em diversos contextos coisas como “This is Sparta!” e por aí vai.

- Mas a maioria dessas frases é clássica e não foi criada pelo Frank Miller, tipo a do “Lutaremos à sombra”.

- Você adora me contestar, né?

- Só quando não concordo contigo. E não se esqueça que eu sou imaginário, então não passo de um reflexo de sua psiquê tentando confrontá-lo com suas opiniões superficiais…

- Dá pra ir direto ao ponto?

- Bom… O filme ampliou a participação de vários personagens que só tiveram uma citação básica no original, tipo o filho do capitão. Mas o imperdoável mesmo foi o que fizeram com a rainha!

- Eu sei que ela praticamente não aparece na HQ…

- Essa mania de ter que colocar mulheres em destaque necessariamente em adaptações nas quais elas não apareciam é politicamente correto demais pro meu gosto! Parece a Liv Tyler no Senhor dos Anéis! Sem contar que a trama paralela que fizeram para a rainha espartana foi ridícula e totalmente descontextualizada!

- Mas foi para ter um interlúdio entre as várias cenas sangrentas de batalha…

- E quem diabos foi ver esse filme querendo interlúdios em cenas sangrentas de batalha? Todos sabiam que era um filme sobre machos-alfa reforçando sua masculinidade…

- Calma… Pára por aí que há um risco tremendo de seu comentário ficar gay!

- Er… O original é melhor. Pronto. Tchau.

Sou obrigado a concordar que as cenas da rainha são totalmente descartáveis no contexto do filme. Mas que era um alento ver aquela atriz bonitona de vez em quando no filme, isso era. Afinal, ficar duas horas só olhando homem sarado seminu não é nem um pouco agradável…

Na verdade, até que poderiam ter ampliado um pouco mais as cenas dela :)

domingo, 22 de abril de 2007 - Comentários (0)

Não entendo de cinema: V de Vingança

V de VingançaAlan Moore me perdoe, mas gostei de V de Vingança. Quer dizer… A graphic novel é melhor, claro, mas até aí praticamente toda obra original costuma ser melhor que as adaptações. Mas o importante é que gostei.

Claro que uma observação tão superficial não ficaria impune e meus amigos imaginários viriam me atormentar para aprofundar a análise do filme. Afinal, eu tinha que encontrar um jeito de mudar de idéia em relação ao filme, não é mesmo?

- Quer dizer que você gostou do filme, Lucio? - contestou-me imediatamente Gumercindo, que sempre segue cegamente os críticos.

- Er.. sim.

- Só que muitos críticos meteram o malho…

- Melhor parar por aí. Os críticos que reclamaram vieram com uma idéia torta de que o filme defenderia o terrorismo. Só que, mesmo o personagem principal sendo um terrorista, o espírito da trama não tem nada a ver com o que está rolando no mundo hoje em dia.

- Mas…

- Quieto.

- Eu também gostei do filme - disse Fredimundo, que costuma mesmo gostar de todos filmes.

- Viu, alguém concorda comigo.

- Grandes coisas. Ele sempre gosta de tudo - cortou Zenóbio, que só gosta de ver mulher pelada em filmes, mesmo sem contexto.

- Você não gostou da história, Zenóbio?

- A história é legal, mas gostei mesmo da gostosinha que fez a Evey e, principalmente, das duas gostosas se beijando. Pena que se beijaram rapidinho.

- Deixa de ser ridículo! Isso é superficial diante da mensagem do filme!

- E qual a mensagem? - Interrompeu Agenor.

- Er… A de que Estados totalitários são ruins?

- Não! A mensagem é “Alan Moore is right”!

- Como assim?

- Simples: O original é melhor! Alan Moore fez bem em não deixar o nome dele ser relacionado com o filme.

- Calma aí… O filme tem várias alterações, mas elas foram necessárias.

- No original, a Evey tinha quinze anos e tentava se prostituir quando foi salva pelo V, que a ensinou tudo sobre o mundo e como ele funciona. Nesse, além dela ser bem mais velha, ainda tem grande base cultural e até dá lição de moral no cara!

- Sim, mas…

- No original, havia uma história paralela de uma mulher que caía em desgraça, além de que vários outros personagens tinham uma profundidade muito maior que no filme!

- Bom…

- No original, o V desenvolvia sua vingança com inteligência e perspicácia. No filme, aparentemente, ele também tornou-se um milionário, já que comprou e enviou pelo correio milhares de máscaras para toda a Inglaterra!

- Er…

- No original, V e Evey simplesmente não tinham uma porcaria dum envolvimento amoroso que praticamente apagou boa parte da mensagem política do final do filme!!!!!

- OK, OK… Gostei do filme, mas ele não foi mesmo tão bom assim… Desculpe…

E volto eu para minha esquizofrenia aguda convencido por mim mesmo que eu estava errado. Alan Moore is right, afinal… Alan Moore, me perdoe. De novo.

sábado, 22 de abril de 2006 - Comentários (0)

Não entendo de cinema: 2 Filhos de Francisco

2 Filhos de FranciscoSou obrigado a ser sincero… Na verdade, não sou obrigado, mas vou ser sincero assim mesmo. Eu fui ao cinema para ver 2 Filhos de Francisco com expectativa zero. Eu sei que o filme vem sendo elogiado pela crítica, mas isso não significa que seja bom, não é?

Sem contar que o marketing dos filmes produzidos pela Globo Filmes sempre é forte. Afinal, a Globo faz uma campanha pesada pelos seus filmes e até mesmo já decidiram que nenhum filme nacional que não seja da Globo Filmes terá citação em nenhum programa deles… mas isso não vem ao caso agora.

O ponto é que o filme agrada. É uma boa história, contada de forma competente e que trabalha direitinho com as técnicas tradicionais de um filme como esse. Em outras palavras: Não espere um filme revolucionário. Vá ao cinema querendo apenas ver um filme legal e, de preferência, sem nenhuma expectativa.

Isto posto, começo a relatar meu calvário ao agüentar meus amigos imaginários comentando o filme…

- Já sei que não me livro de vocês tão facilmente, então podem comentar logo o que quiserem sobre o filme - resumi para acabar logo com isso.

- Eu adorei… - começou Fredimundo - Muito emocionante. Gostei do final feliz…

- E você espera outro tipo de final, mané? - retrucou Zenóbio.

- Claro que não, mas até você tem que admitir que o filme foi bom.

- Que nada! Não tinha mulher pelada nem sacanagem! Que tipo de filme brasileiro é esse que não tem mulher pelada e sacanagem?

- Você tem que deixar de ser tão tarado, Zenóbio - reclamei - Sem contar que já faz muito tempo que filmes nacionais não são só sacanagem.

- E daí? Um filme que tem a Paloma Duarte e ela só fica vestida o tempo todo… Pô! Até em Olga a Camila Morgado ficou pelada!

- Não dá pra conversar contigo… O Gumercindo eu sei que gostou…

- Claro! Os críticos todos elogiaram! As críticas que eu mais gostei foram a do jornal O Globo, onde todos foram unânimes ao falar da qualidade do filme. Gosto tanto quando os críticos são unânimes…

- Até concordo que o filme foi bom - interrompi o delírio do Gumercindo - Mas não é a oitava maravilha do mundo. Dá pra assistir numa boa, mesmo sendo uma história real. Por falar nisso… Agenor, esse filme não é baseado em livro, quadrinhos, teatro e nem é um remake. Acho que não dá para você dizer que o original é melhor…

- O original é melhor!

- Como?

- Eu não gosto de filmes biográficos. Simplificam muito a vida das pessoas e dão uma romantizada em alguns pontos. Sem contar que a mulher do Zezé di Camargo está muito, mas muito longe de ter a cara da Paloma Duarte…

- Olha a falta de respeito!

- E outra coisa: Que merchandising muquirana! Em plenos anos 80 me aparecem um Bradesco e um posto Texaco com os logotipos atuais! O filme pode até ter sido sincero com algumas coisas, como o fato do Leonardo ser um sem-noção, mas com certeza qualquer biografia sobre eles consegue ser melhor que o filme! É o que eu sempre digo: Cinema só serve para fazer biografia de um autista que tenha vivido até os dez anos de idade e, ainda assim, vai ser incompleto!

Depois do “momento politicamente incorreto” do Agenor, resolvi terminar a conversa de uma vez. Eu sei que filmes biográficos são complicados, mas não dá para exigir perfeição. Agora é esperar ano que vem para o lançamento de “Chitãozinho e Xororó: o filme” e “As aventuras de Leandro e Leonardo”…

domingo, 2 de outubro de 2005 - Comentários (0)

Não entendo de cinema: Sin City

Sin CityNão há o que discutir! A melhor adaptação de uma história em quadrinhos para filme em todos os tempos! E isso não é apenas minha alma nerd falando, mas a constatação de uma realidade! Foi tão bom que nem meus amigos imaginários que adoram comentar os filmes poderiam estragar essa percepção… ou poderiam?

- Caramba… Vocês voltaram?

- Assim vamos nos sentir rejeitados - choramingou Fredimundo.

- Tá bom… Tá bom… Vocês todos são bem-vindos… Só espero que ninguém nesse shopping perceba que eu estou falando sozinho… De qualquer forma, não há muito o que dizer e essa será a resenha mais fácil entre as que já escrevi para o Inutiologia. Afinal, nem o Agenor tem como reclamar do filme, já que ele foi absolutamente igual ao original, até nos enquadramentos…

- O original é melhor - interrompeu Agenor.

- Como? Você está maluco? Os quadrinhos foram utilizados como base para cada cena, cada enquadramento, cada tomada, cada design… Eu sei que você tem mania de dizer que o original sempre é melhor, mas dessa vez não há argumentos!

- Tem cenas faltando.

- Hein?

- Na parte do policial honesto que vai preso por causa da menininha, não estão presentes as cenas do pedido de condicional.

- Ah… Mas isso deve estar no DVD…

- E daí? Eles venderam o filme como “A adaptação definitiva” e faltou isso.

- Tirando esse detalhe tem mais alguma outra diferença, ô detalhista?

- Sim: A Jessica Alba não tira o sutiã!

- Eu também notei isso - interveio Zenóbio, nosso tarado de plantão - Achei isso imperdoável!

- O que não falta nesse filme é mulher pelada para te agradar.

- Mas eu queria ver a Jessica Alba pelada! Ele não tirar a roupa estragou o filme para mim! E não estará no DVD!

- Certo… Certo… Inacreditável que vocês dois não tenham gostado do filme por motivos tão bobos… Embora o caso da Jessica Alba realmente tenha sido triste… Mas tenho certeza que o Gumercindo gostou! Afinal, toda a crítica elogiou o filme.

- Não gostei… - disse Gumercindo, sem graça.

- Como???

- O Arnaldo Jabor falou mal do filme na coluna dele. E se o Arnaldo Jabor disse que o filme é ruim, ele deve ter seus motivos…

- Meu Deus… Eu li aquele troço… Ele, além de não ter entendido absolutamente nada da proposta do filme, ainda resumiu as histórias apenas na violência e usou isso como uma crítica aos Estados Unidos! Pra ser sincero, a crítica dele conseguiu ser mais vazia de conteúdo do que a que a gente faz no Inutiologia! E ele ainda usa a velha técnica de dizer que quem gostou do filme vai acusá-lo de várias coisas e, com isso, se defender antecipadamente das críticas e resumir todas as opiniões em contrário como simples opiniões de fãs exaltados!

- Mas ele é o Arnaldo Jabor…

- Mais um bom motivo para ignorar seus comentários sobre cinema… Deixa pra lá! E você, Fredimundo? Ao menos alguém vai me dar razão e dizer que o filme foi fantástico?

- Gostei, claro.

- Considerando que você gostou até de Mulher-Gato, sua opinião não vale - contestou Agenor.

Quando há a necessidade de usar Mulher-Gato como referência numa conversa sobre filmes, é a hora certa de parar a conversa. De qualquer forma, Sin City é fabuloso e, quem pensa diferente, que pense diferente. Não sou crítico de cinema para analisar a “estética da violência” ou a “estrutura frasal dos quadros sistemáticos na fotografia porustiana no enquadramento do filme”. Só quero me divertir. Quem gostou dos quadrinhos de Frank Miller, pode ir assistir sem medo.

A única coisa chata é que a Jessica Alba realmente não tira a roupa…

segunda-feira, 15 de agosto de 2005 - Comentários (0)

Não entendo de cinema: Batman Begins

Batman BeginsO grande dia para qualquer nerd. Se você é fã de quadrinhos, melhor ainda. Se, além de tudo, é decenauta, tudo se torna praticamente um orgasmo nérdico. Putz… Esse parágrafo é definitivamente a prova de que falta de namorada faz mal para a saúde mental…

Bom… Voltando a Batman Begins. O filme que vinha prometendo fazer todo mundo esquecer de vez o Desfile GLS que Joel Schumacher proporcionou nos últimos dois filmes do Homem-Morcego, que sepultaram a carreira do heróis no cinema.

Fui assistir o filme, ao mesmo tempo empolgado e apreensivo. Minha alma nerd pulava de alegria a cada momento em que o filme mostrava que não queria escorregar no quiabo mais uma vez. As explicações detalhadas para cada equipamento… A aparição do uniforme só lá pelo meio do filme… O final promissor… Nada poderia estragar a alegria que eu estava quando saí do cinema, nem os dois nerds estereotipados que cismavam em não calar a boca durante a sessão.

Mas eu estava enganado. Foi só eu ir para a praça de alimentação para um lanchinho antes de ir para casa que meus amigos imaginários surgiram para debater o assunto.

- Vocês de novo? - reclamei simpaticamente.

- Estamos aqui para te ajudar na coluna do Inutiologia - respondeu Fredimundo, meu amigo imaginário de longa data.

- Eu já te disse que eu posso muito bem escrever os comentários sobre os filmes sem a sua ajuda e desses seus amigos.

- Estamos todos na sua imaginação, então a escolha é sua…

- É… Mas acho que dessa vez todos vão concordar que o filme foi ótimo. Não é, Gumercindo?

- Claro. O bonequinho aplaudiu de pé no Globo e o JB deu muitas estrelinhas.

- De vez em quando os críticos acertam. E você, Fredimundo, o que achou?

- Muito bom. É o filme definitivo do Batman!

- Zenóbio…?

- A namorada do Batman era bem gostosinha. Meio vesga, mas gostosinha.

- E você, Agenor?

- O original é melhor.

- Tá maluco? Você não pode achar os outros filmes melhores.

- Estou falando dos quadrinhos. Ano Um é melhor.

- Mas o filme não foi baseado só no Ano Um.

- Só faltou o seqüestro do filho do Gordon. Fora isso, estava tudo do Ano Um por lá. E muitas coisas do Cavaleiro das Trevas.

- Mas o filme foi bastante realista…

- Realista o caramba!

- Eles deram justificativa até para as orelhas…

- Aquela arma de microondas no final era realista?

- Er… Não… Mas…

- E o plano do Ra’s Al Ghul? Muito idiota e quase igual ao plano do Coringa no primeiro filme!

- Sim, mas…

- E ele deixar o Ra’s morrer? Aquilo vai contra a essência do personagem?

- Ele não matou…

- Mas deixou morrer. Nos quadrinhos, o Batman já arriscou a vida para salvar até o Coringa da morte certa!

- Er… Tá… Só que…

- E a namorada? Por que todo mundo cisma em colocar uma mulher para o Batman?

- Mas ela era gostosinha… - interveio Zenóbio, o tarado de plantão.

- MAS ISSO NÃO EXISTE NO ORIGINAL!

- E a Vicky Vale? Ele já a namorou no original! Rá! - voltei a argumentar.

- Certo, certo… Mas e o filme do Zorro alterado para uma ópera?

- A ópera era Der Fledermaus, o que fazia todo o sentido no contexto, sem contar que eles não iriam bem vestidos daquele jeito a um cinema!

- E daí? O original continua melhor.

- Ah, não enche o saco!

- Eu não gostei do filme e ponto final.

- Você é bobo, feio e chato! - concluí com os melhores argumentos que um nerd poderia encontrar para defender o filme do Batman de quem não o considerou perfeito.

Como eu dizia antes do interlúdio inútil, Batman Begins conseguiu recuperar uma franquia que mostrava decadência após várias burradas. Além disso, foi o primeiro filme da DC a ter grande qualidade, o que não acontecia há séculos. Se bobear foi a estréia do novo logotipo da editora na abertura do filme que deu sorte. Resta esperar pelo filme do Super-Homem para ver se conseguirão compensar lixos como Mulher-Gato.

sábado, 18 de junho de 2005 - Comentários (0)

Não entendo de cinema: Guia do Mochileiro das Galáxias

Guia do Mochileiro das GaláxiasNão ter namorada para ir com a gente no cinema provoca algumas conseqüências curiosas. A primeira, é que se começa a prestar atenção de verdade nos filmes. Outra conseqüência é o aumento do volume cúbico de pipoca ingerida. Por fim, surgem amigos imaginários que auxiliam na análise posterior dos filmes e com os quais se conversa lanchando sozinho na praça de alimentação do shopping. Claro que isso tudo provoca outra conseqüência dentro do Efeito Tostines: Fica difícil convencer alguma garota a namorar com quem fica cheio de amigos imaginários e, em conseqüência disso, tem alguns parafusos a menos.

Esses meus amigos imaginários surgiram pela primeira vez quando eu fui assistir ao filme Guia do Mochileiro das Galáxias. Eu já tinha lido o livro e gostado muito, mas caí na besteira de querer conferir a transposição do livro para o cinema. O debate que se seguiu foi tão desinteressante e inútil que eu percebi que seria perfeito para inaugurar a seção de crítica cinematográfica do Inutiologia e que, propriamente, chama-se “Não entendo de cinema”. Na verdade, quase nenhum crítico brasileiro de cinema que vive escrevendo criticas por aí entende de cinema (note que eu escrevi “quase”, o que significa que todos os que pensarem em me processar caem exatamente nesse “quase”). Acho, então, que eu ganho alguns pontos por ser o único a admitir isso.

Depois de assistir o filme, levemente decepcionado, meu amigo imaginário desde a infância, Fredimundo, apressou-se em apresentar o lado bom do filme:

- Não foi tão ruim assim - apressou-se em opinar.

- Como não? As piadas que davam certo no livro ficaram horríveis no cinema! O ritmo se perdeu totalmente! O filme estava chato e lento! Sem contar as modificações absurdas que destruíram boa parte da estrutura narrativa! - tentei explicar mostrando certa cultura desinformada.

- É o que eu sempre digo: O original é melhor! - interveio Agenor, que sempre acha que o original é melhor.

- Mas isso foi uma adaptação - tentou defender Fredimundo - Toda adaptação é… bem… adaptada.

- O original é melhor, já disse.

- Você também leu o livro, Agenor? - perguntei, curioso.

- Dei uma passada de olhos numa cópia que achei no Google.

- Mas os críticos elogiaram muito esse filme! Ele ganhou bonequinho aplaudindo no Globo! - resolveu se intrometer Gumercindo, que sempre acha que a opinião dos críticos de jornal é perfeita.

- Peraí, Gumercindo! Você achou que Carandiru tinha uma boa história só porque os críticos disseram isso.

- Mas tinha uma boa história. O problema é que também tinha várias histórias e não só a boa…

- Um momento, todo mundo! - tentei colocar ordem na bagunça - Fredimundo…

- Pois não.

- Você está dizendo que o filme foi bom. Então, me diga, por que diabos a piada da baleia perdeu toda a graça no filme?

- Er… Mas a música dos golfinhos foi legal.

- Nos primeiros minutos do filme, pô! E foi legal porque parecia coisa do Monty Phyton. Além disso, o final era totalmente diferente do livro.

- É o que digo: o original é melhor. Não sei porquê as pessoas gostam de mudar o final dos filmes.

- Poxa, Agenor, o final foi bonitinho, com a Terra sendo reconstruída e os dois personagens principais dando um beijo.

- Fredimundo! Por que os filmes têm que terminar com beijos? No livro, eles tinham uma ameaça de romance, mas não terminava em beijo.

- Ei - estranhei - Você não disse que só tinha passado os olhos no livro?

- Mas eu sei que não tinha isso. É um livro de humor britânico, pô!

- E a mulher do filme era uma gata! - intrometeu-se, pela primeira vez, Zenóbio, que estava cochilando até então.

- Volta a cochilar, Zenóbio. Você só vai ao cinema para ver as mulheres nos filmes.

- E tem coisa melhor? Pena que ela só ficou de shortinho por pouco tempo.

- O ritmo realmente foi lento e decepcionou completamente - tentei retomar a discussão anterior, embora também tenha ficado triste pelo pouco tempo da atriz usando shortinho -, mas o final não foi tão ruim assim.

- Se não era ruim assim, como eles mataram a piada do restaurante no fim do universo?

- Como assim?

- O restaurante da seqüência é no fim do universo no sentido de “fim dos tempos”. Por causa de uma piada boba e batida, eles colocaram como fim no sentido de “ponto final”.

- Mas os críticos gostaram…

- Cala a boca, Gumercindo! - falamos os três em uníssono.

- Afinal, Lucio - perguntou-me Fredimundo - Você vai usar esse papo na coluna de estréia do “Não entendo de cinema”?

- Acho que vou. Não tenho escolha, já que já havia prometido que estrearia com a crítica desse filme. Quem sabe as pessoas não ficam com pena disso aqui, de tão patético, e até acabam gostando?

- Vamos ver.

Depois da complexa e enriquecedora conversa, passei na livraria e comprei o terceiro livro da série, “A Vida, o Universo e Tudo o Mais” para ler no dia seguinte e me desintoxicar do filme. Pena que a série também veio caindo de qualidade a cada livro. Se seguir nessa base, possivelmente o quarto livro será tão bom quanto o primeiro filme.

sábado, 11 de junho de 2005 - Comentários (0)

Não Entendo de Cinema

Não entendo de cinemaAmanhã (assim espero), vai estrear uma nova seção no Inutiologia: “Não Entendo de Cinema”. Será uma espécie de coluna sobre cinema feita por alguém que nem de longe é especialista no assunto. Ou seja, exatamente igual a qualquer crítico brasileiro de cinema, com a única diferença de que eu admito não saber do que estou falando.

sexta-feira, 10 de junho de 2005 - Comentários (0)