Ano passado, publiquei um post sobre o famoso Jesus Cristo Voltará. Só que teve gente que achou que eu estava contando uma piada.
Para provar que essa famosa personalidade iguaçuana existe, reproduzo abaixo a capa da edição de domingo passado do carderno da Baixada do O Globo.

Bom… Foi só pra registrar mesmo, já que não queria fazer um post só dizendo “O blog voltou” e pronto :)
Muita gente de fora de Nova Iguaçu não acredita, mas ele existe! O famoso Jesus Cristo Voltará! O velhinho que passeia por toda a cidade com seu carro coberto pela frase “Jesus Cristo Voltará!” e vai cantando sua musiquinha para quem quiser ouvir. E para quem não quiser também.
Como não trabalho no centro de Nova Iguaçu, raramento cruzo com ele na rua. Mas hoje eu vi seu carro na Via Light e, rapidamente, fiz uma foto com meu celular. Infelizmente ainda não foi possível capturá-lo em vídeo para que todos possam curtir sua musiquinha.
No final do post, a foto (meio muquirana, eu sei, mas foi o que deu pra fazer). E, para passar o tempo enquanto eu não descolo um MP3 dele, seguimos com a letra da música que toca sem parar, incessantemente, de forma ininterrupta, nos alto-falantes do carro:
Jesus Cristo Voltará!
Voltará! Voltará!
Jesus Cristo Voltará!
Voltará! Voltará!
Jesus Cristo está voltando,
ele mandou anunciar:
Passará o Céu e a Terra e
sua palavra se cumprirá!
(e vai repetindo sem parar, sem parar, sem parar…)

Andando na segunda passada pelo Centro de Nova Iguaçu, não acreditei quando ouvi um carro de som falando sobre um evento que seria realizado na frente da Prefeitura em homenagem à Fani! Sim, a ex-participante do Big Brother Brasil que gritava toda hora o bordão “Uhu, Nova Iguaçu!” no programa.
Sim, um vereador decidiu que ela merecia uma homenagem exatamente por causa do bordão. Segundo ele, isso ajudou com a auto-estima dos iguaçuanos. Na minha opinião, pensar que um berro num programa sem conteúdo ajuda em nossa auto-estima é um bom motivo para se ter uma baixa auto-estima.
A homenagem foi no dia 23, terça-feira passada, e contou com a presença do prefeito Lindberg Farias (aquele que só descobriu onde ficava Nova Iguaçu quando o PT decidiu lançá-lo candidato por aqui, mas isso não vem ao caso). Além disso, uma multidão de desocupados vibrando e gritando.
Teve uma grande cobertura da imprensa. Deixa ver… Alguns jornais da cidade e o pessoal do Pânico na TV, acho que só isso.
Pois é. Adoro minha cidade, mas é um tanto de limitação cultural homenagear essa criatura que, em dois meses, não será lembrada por ninguém mais, ao invés de criar uma homenagem para os vários iguaçuanos verdadeiramente ilustres que nunca foram homenageados com tanta comoção popular.
Mas eu que sou chato.
Depois que o atual prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, se lançou candidato sem nunca ter pisado na cidade até então, os demais políticos fluminenses devem ter chegado à conclusão de que por aqui que a única informação sobre a cidade necessária para administrá-la é saber o caminho da Dutra até a Prefeitura.
Por quê esse raro post político no Inutiologia, ainda por cima tão revoltado? Simples: Acabei de ler a notícia de que o Garotinho (sim, o ex-governador Garotinho, aquele) está ameaçando se candidatar à prefeitura de Nova Iguaçu em 2008 pelo PDT! Minha cidade está virando uma p#t@ eleitoral, pelo visto.
Se isso se confirmar, dentro em breve qualquer político do Brasil que estiver precisando de uma forcinha vai se candidatar a prefeito de Nova Iguaçu. Quem sabe o ACM e o Maluf não acabam se mudando pra cá nesse ínterim? :P
A título de recordação: Nova Iguaçu foi a cidade que, nas últimas eleições municipais, Garotinho ameaçou com um corte de verbas do governo estadual se Lindberg fosse eleito.
Nova Iguaçu é uma bela terra. Uma cidade que faz surgir um velhinho que fica berrando por aí que “Jesus Cristo voltará”, uma moça que passeia com um fusquinha pintado como o carro da Penélope Charmosa, um horário do rush que ocorre por volta do meio-dia, e várias outras leves bizarrices que deixam tudo por aqui bem interessante.
Obviamente, um maníaco surgido por aqui não poderia ser exatamente um maníaco “normal” (o adjetivo se aplica?). Bom… Para quem não sabe, saiu uma notícia no O Dia de hoje falando sobre novos ataques do… tchan-ran-ran… Maníaco do Dedo!
E que diabos é isso? Simplesmente um maluco que invade a casa das pessoas para roubar alguns objetos e, não se dando por satisfeito, ainda chupa o dedo dos pés das mulheres. Não acredita? Confira clicando aqui.
Na hipótese do link não estar mais no ar, aí vai o parágrafo mais interessante da reportagem: “Nos últimos ataques, Vitor Hugo Simões de Loterio, 28 anos, manteve a mesma estratégia: entrou na casa entre 3h e 5h, com o rosto coberto, abordou a mulher, rendeu-a e chupou os dedos dos pés da vítima. Na saída, o maníaco roubou alguns objetos e tornou a deixar recados obscenos na parede, como ‘o seu pé é muito gostoso’”.
Definitivamente, isso dá uma história. Vou pensar em algo qualquer dia desses. O problema será fazer o laboratório para desenvolver o assunto.
Saindo de um aniversário ocorrido numa pizzaria do “centro gastronômico” de Nova Iguaçu (aquela rua perto da Praça do Skate cheia de restaurantes e lanchonetes), deparei-me com uma das mais famosas lendas vivas da cidade: o Fusquinha da Penélope Charmosa! Fiz uma foto imediatamente para mostrar a quem nunca cruzou com esse veículo na cidade.

PS: Pena que a dona não estava por lá, já que ela compõe o cenário de “Penélope Charmosa de Fusquinha” com perfeição :))
Nesses últimos dias, andei enrolado com o Fórum Mundial de Educação, que vem acontecendo aqui em Nova Iguaçu e só publiquei o post do “Momento invejinha” porque foi quase um Ctrl+C/Ctrl+V do anterior ;)
Mas, só para não deixar de escrever mais um post, vou comentar por alto o Fórum, que começou no dia 23 e terminou hoje, dia 26. Conforme o “Manual de como falar mal sem ofender tanto”, vou começar citando algo de bom para poder reclamar depois :)
O Fórum foi bem interessante. As ruas nas proximidades dos locais de atividades foram asfaltadas (apesar de algumas já terem asfalto, enquanto há ruas no interiorzão da cidade que ainda são de terra). Tudo bem que não foi exatamente O Fórum Mundial de Educação, mas uma edição temática, mas ainda assim foi bem interessante um evento desse porte em Nova Iguaçu, sendo bastante enriquecedor para todos os envolvidos com educação. Eu mesmo, aproveitei muitas palestras interessantes.
Porém…
Definitivamente, ocorreram problemas de organização. As palestras “auto-gestionadas”, por exemplo, precisariam ter uma distribuição mais inteligente. Houve muitas palestras boas em horários iguais e alguns momento com poucas palestras simultâneas. Sem contar que os locais para algumas foram mal escolhidos. Por exemplo, qualquer pessoa ligada a educação sabe que uma palestra com o título “Contação de histórias” lotaria. Mas colocaram numa salinha minúscula…
Para isso se resolver, poderiam ser usados outros locais, não apenas no “centrão” da cidade, que não conta com tantos lugares com bastante espaço. Poderiam ser usadas mais escolas, que tivessem salas de aula mais amplas. E, para resolver isso, bastava uma distribuição de horários melhor e um sistema de transporte que funcionasse a contento, fazendo a ligação entre todos os locais (por sinal, no primeiro dia de Fórum o assim divulgado “transporte gratuito” estava sendo cobrado, o que mudou depois de várias reclamações).
Tenho um exemplo no qual eu estava envolvido e, portanto, posso comentar: O Colégio Gonçalves Dias foi solicitado para que ocorressem atividades, mas, apesar de ter salas de aula e espaços enormes, onde caberia gente pra caramba, ele foi usado para uma atividade específica fora da programação oficial. Na verdade, eu até tomei um susto quando vi que, apesar de terem solicitado a escola e garantido o desenvolvimento de palestras e atividades auto-gestionadas por lá, eu só descobri que o GD não estava na programação oficial quando procurei no jornalzinho de programação os dados da escola e, além de estar com o nome e o endereço totalmente errados, sequer aparecia no mapa do evento, enquanto outras escolas estavam com destaque.
Por fim, as atividades culturais também deveriam ser melhor divulgadas. Fui na apresentação da Praça Santos Dumont no sábado e não havia praticamente ninguém. Se tem morador de Nova Iguaçu que não sabe como chegar lá, imagina o pessoal de fora! As pessoas simplesmente não sabiam que ocorreria algo e muito menos como chegar lá (e a programação real estava totalmente diferente da programação do jornalzinho).
Claro que nem vou citar os guardadores de carro ilegais que cobravam preços extorsivos (quando eu estacionei o carro no Iesa, por exemplo, a guardadora tinha até cuponzinho de estacionamento com o preço!). De qualquer forma, o prefeito Lindberg prometeu que o Fórum ocorrerá novamente em Nova Iguaçu em 2008 (claro que é coincidência o fato de ser o ano em que ele disputará a reeleição). Torço para que esses pequenos detalhes sejam corrigidos pelos organizadores do evento, que foi inegavelmente muito importante para a cidade e para os profissionais de educação.
PS: Até que as lições desse “Manual de como falar mal sem ofender tanto” são boas ;)
Acabo de sair da “reunião popular” entre o prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias e a população do bairro da Posse para discutir a construção do novo viaduto (para se inteirar sobre esse assunto, leia o post publicado em 16 de setembro).
De uma maneira geral, uma única coisa pode ser dita sobre as palavras do prefeito: decepcionantes. Para um contingente de cerca de 250 pessoas (bom número, considerando que a reunião foi marcada para uma segunda-feira à noite), o prefeito tentou “sair pela tangente” o tempo todo.
Sim. Ele afirmou que “o viaduto será feito por esse prefeito aqui”. Mas, por cinco vezes, repetiu algo que ele disse ser uma simples “hipótese” a curto prazo: aumentar uma pista no viaduto da avenida Governador Roberto Silveira.
Para os que não são de Nova Iguaçu, uma contextualização: O viaduto da Roberto Silveira tem uns 50 anos de idade e praticamente não sofreu reformas até hoje. É o principal gargalo do trânsito da Posse e é extremamente perigoso, especialmente para os pedestres. Ele liga o “centro nervoso” da Posse com a avenida que leva ao shopping, à via Light, à entrada para a Dutra no sentido Rio e ao local no qual em breve será feito um campus avançado da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. Para quem enfrenta aquilo todo dia, uma nova pista é uma solução bem ilógica e longe do ideal.
O pior é que ele reforçou a todo instante que essa pista nova no viaduto será uma solução a curto prazo. Ora, bolas. Por esse mesmo raciocínio, visando os benefícios gerados, o novo viaduto saindo da avenida Araguaia para a Estrada D é bem mais lógico.
Mas tanto o prefeito quanto os especialistas em engenharia de tráfego que ele levou (entre os quais, nenhum da região) insistiram na “terceira pista” e numa mudança na área do Alto da Posse que só vai complicar a situação, aumentar o fluxo e criar novos e piores gargalos.
Nem as cerca de 10 mil assinaturas no abaixo-assinado ajudaram. Na verdade, nem a abertura do microfone para as “sugestões populares” ajudou. Afinal, depois de duas pessoas defenderem fortemente o novo viaduto e serem aplaudidas por todos, os organizadores do evento acharam melhor parar de dar a palavra.
Claro. Eu entendo que a posição do prefeito deve ser bem complicada. É difícil gerenciar uma quantidade enorme de obras que precisam ser feitas por toda a cidade. Mas não dá para tentar dizer à população que a solução para um determinado problema é algo que todo mundo que mora por lá sabe que não vai resolver.
No final das contas, ficou a sensação de que o viaduto que a população da Posse tanto necessita não vai sair. Espero estar enganado. Espero mesmo estar enganado. Mas a sensação da maioria das pessoas com as quais eu conversei ao final do evento foi a de que o prefeito tentou “empurrar com a barriga” a construção do viaduto. Vamos ver que no que vai dar.


Para quem não é de Nova Iguaçu, é melhor explicar do começo só para entenderem…
Nova Iguaçu é cortada pela Via Dutra. Assim como dezenas de cidades do Rio e de São Paulo. Contudo, Nova Iguaçu é a única cidade que é realmente cortada ao meio pela Dutra. Isso porquê todas as cidades têm seu “centro nervoso” em um dos lados da Dutra e, mesmo que haja alguns bairros importantes do outro lado, o fluxo de pessoas e veículos não é monstruoso.
Contudo, em Nova Iguaçu, os dois principais blocos da cidade estão divididos pela Dutra: de um lado o Centro propriamente dito (com o shopping, a Prefeitura, o centro comercial…) e, do outro, a Posse (com o Hospital da Posse - o mais importante da Baixada -, um comércio em crescente expansão e uma quantidade enorme de pessoas que vão e vêm de um lado para o outro).
O problema é que só existem dois míseros viadutos cruzando a Dutra nas proximidades da Posse. E eles sempre estão com uma quantidade gigantesca de carros. Há anos a população implora por um novo viaduto, mas a NovaDutra (que pelo visto pouco se lixa para a Baixada, vide os engarrafamentos obscenos na curtíssima marginal de São João de Meriti) nunca permitiu.
A Prefeitura também nunca se esforçou muito, aparentemente, já que fizeram um viaduto no final da Via Light que não era nem um pouco urgente e cujo único benefício real foi facilitar a chegada dos alunos à universidade particular que tem naquele caminho (sim, o mesmo viaduto que foi inaugurado sem sinalização e que provocou uma morte logo depois de aberto - já comentei isso aqui na época).
Agora, finalmente parece haver uma movimentação mais sólida sobre o tema. Um deputado local está promovendo uma campanha com outdoors, panfletos, adesivos de carro e tudo o mais. Na verdade, já existe na Câmara dos Vereadores um projeto de Lei para o viaduto, mas o deputado está aproveitando a onda.
No fundo, pouco importa quem se beneficiará politicamente do novo viaduto. Afinal, milhares de pessoas que moram do “lado de cá” da Dutra se beneficiarão enormemente e isso vai além de qualquer politicagem.
Portanto, abraço a campanha pelo novo viaduto colocando um “adesivo virtual” no Inutiologia:

É impressionante como tem gente que acha que Nova Iguaçu é um buraco absurdamente violento e acaba “se espantando” em como a cidade é normal :P
O último exemplo veio da coluna do Zuenir Ventura no jornal O Globo. Com o prosaico título “Entre Nova Iguaçu e NY” ele conta seu espanto com a tranqüilidade da noite iguaçuana.
O parágrafo mais curioso: “Outro dia, estive em Nova Iguaçu para uma palestra e me surpreendi com o movimento noturno dos bares. Me informaram com uma ponta de ironia que era o efeito da violência do Rio: ‘antes, os jovens iam curtir a noite carioca. Agora, temendo atravessar a Linha Amarela ou a Vermelha, eles preferem se divertir por aqui’. O medo mudou de direção”.
Como a maioria dos cariocas, ele não tinha idéia de que, aqui do ladinho do Rio de Janeiro, havia um lugar que, apesar da má fama que carrega, ainda é melhor do que a “cidade maravilhosa”. O Zuenir Ventura pelo menos teve a coragem de comentar isso em sua coluna.
Piores são os trocentos cariocas que acham que só a cidade do Rio presta em todo o Estado (apesar das provas em contrário) e, por isso, defendem a tal “desfusão”, achando que o Rio voltará a ter a importância do passado de forma mágica :P
Para quem estiver curioso sobre a coluna do Zuenir Ventura, ela pode ser encontrada clicando-se aqui (se bem que nada garante que o link continue funcionando daqui a algumas semanas).