O coração
é um aparelho,
um aparelho telefônico
que não permite trote
e nem ligação
a cobrar.
Com o coração
só se faz
ligações interurbanas,
via telefonista;
telefonista tal
que nem sempre
completa
a chamada.
Irei, então, discar
o número do amor
para conversar
com a felicidade eterna…
Pii, pii, pii, pii,
pii, pii, pii, pii…
Ocupado…
Papel higiênico
Música de amor tocando
Metáfora feita
Me fazendo-me a mim
me sentir-me culpado
de a ti ter te dito-te
que lho disse-lhe a ele
que a ela lhe dizer-lhe-ia
que a si só se sabia
sobre quem mo disse-me a mim
quando ela se dizia-se a si
que ele a ti lhe sabia-me
fará com que eu me jogue-me a mim
e a ela a jogue-a em si
no que lhe sabia-lhe a ele
porque a ti te sabendo-te
a ela não lhe dizer-lhe-ia.
Tu saberás
Tu pensarás
Tu encararás
Tu emoldurarás
Tu exemplificarás
Tu constitucionalizarás
Tu satisfazerás
Tu nunca mais errarás
Tu consciente ficarás
Tu mudarás
Tu dirás
Tu matarás
Tu ressuscitarás
Tu inconstitucionalizarás
e tudo o mais tu serás
só pra me convencer de que em uma poesia
Tu, ao invés de você, mais bonito, belo e singelo ficarás
Ao escrever um soneto é necessário
se rimar com a-bê-a-bê duas vezes.
Logo depois, um pouco temerário,
tascar uns a-bê-a e bê-a-bê siameses.
Cada uma dessas letras é uma rima,
só que é esse exatamente o problema:
É necessário até que se comprima
palavras feias para entrar no esquema.
Os versos finais são os mais complicados
pois precisam ter rimas entre si
sem ficar, com isso, desajustados.
Portanto, devo terminar aqui
antes de colocar versos forçados
iguais a essa última rima aqui.
Meu coração
sofre um amor platônico
Está apaixonado pelo pulmão
mas não admite seu amor
pois sabe que o pulmão
pelo fígado está enamorado.
A bexiga põe-se a chorar.
Os rins se emocionam
fazendo um coro com a bílis
pela emoção do triste momento
por que passa o coração.
Então o coração chora
sem saber o amor
que o apêndice nutre por ele.
Então, pulsa o coração
sem cessar
pensando em seu amor impossível,
deixando um mar de placentas
invadir a aorta.
Por amor, ele se matou…
e o filho da mãe levou todo mundo junto!
Paf, soc, pum,
pimba, péim, pof,
pif, soc, tzéin, tum,
pá, pôu, créc,
tum, pá, pimba, pôu, péin,
soc, tum
pá, pum, pêm,
bip, bip…
Game Over!
Antigamente, menina prosa
Hoje, moça gostosa
Antigamente, menina levada
Hoje, moça assanhada
Antigamente, menina espertinha
Hoje, moça saidinha
Antigamente, menina moleca
Hoje, moça sapeca
Antigamente, menina inocente
Hoje, moça caliente
Antigamente, menina impávida
Hoje, mais uma moça grávida
Uma formiga caminha a passos largos
sobre a rocha incrustada no chão
carregando o alimento da vida
para compartilhar com suas companheiras
e, assim,
prosseguir com o show da vida
mantendo a espécie viva
e dando exemplo ao ser humano.
Foi pisada.
Os milicos ouvem:
- Eu detesto militar!
A porrada come